quinta-feira, dezembro 21, 2006

Ode anti-leite

Um dia vi um homem de barba rija a beber leite mimosa meio gordo durante o almoço na cantina do IST. Para se comer na cantina do IST já é necessária alguma fibra de coragem e heroicidade. Mas o leite inspirou-me. Inspirado comecei a beber um copo de leite às refeições para me dar mais juventude e força que ninguém pode parar. Se consigo beber mais de um litro de vinho durante um qualquer jantar a qualquer altura do ano, bem me aguento com um copo de leitinho repleto de riqueza proteica e nutritiva, pensava. Verdade seja dita, poucos dias duraram com tal regime alimentar até eu ter ido, logo depois de comer as entradas durante um jantar, a correr para o WC para cantar o belo canto Gregoriano. No almoço já tinha tido uma pequena má disposição, pensei na altura que tinha sido do café, ulceroso e agressivo, mas não, era o leite a preparar-se para a batalha contra o meu sistema digestivo. Ganhou o leite, perdi a sopa, o pão do jantar e o apetite durante o resto da noite.
Beber leite é d'homem, e eu ainda tenho de comer muito feijão e beber muito vinho tinto para ter o cabedal de combate necessário para o consumo dessa bebida.
Mas agora percebo os da minha terra, metiam os meninos a beber vinho com pão duro do dia anterior e faziam os grandes homens de Portugal, preparavam-nos para as agruras da vida. Foi assim que se formou o Nojeira Salazar, segundo José Hermano Saraiva o maior estadista de portugal depois de D. Afonso Henriques, com vinho a martelo cheio de metanol e ácido acético. Na verdade já não se fazem homens como antigamente. O tracto digestivo de Salazar até arsénio digeria e neutralizava sem problemas.Todo o seu corpo devia ser intestino, o intestino comeu-lhe a consciência, a piedade, a sexualidade. Nunca teve filhos...

Natal em Almeirim

segunda-feira, dezembro 18, 2006

sexta-feira, dezembro 15, 2006

Mais um pouco de Identidade

Sopinha no Grupo de Teatro do IST em Lisboa


Aqui.
Se quem lê isto se encontra em Lisboa no dia 15 de Dezembro e pelo menos um pouco antes das 21h30min, considere o seguinte:

Performances, música, leituras, descobertas.

E isto pode ser feito por ti, recitar o poema entalado na garganta, o "gingle" que repetes sempre para ti e pensas que seria um sucesso se tivesses a oportunidade de cantar para mais gente, a performance que te faz comunicar como as palavras nunca permitem, ou simplesmente um presente com simplicidade de gestos e palavras que queres partilhar com outros.
Vai ao Grupo de Teatro do Instituto Superior Técnico, Avenida Rovisco Pais Lisboa (não tem nada qu'enganar). Entras pelo lado da Alameda Afonso Henriques e perguntas pela Secção de Folhas, se não encontras uma pessoa para perguntar, vai para o lado do campo de Tenis, e procura por música e alegria.
Vai, vale a pena. Diz-me depois como foi.

quinta-feira, dezembro 14, 2006

Portugal e Brasil

Hoje eu e a Inês descíamos num elevador a conversar em português com outras pessoas presentes. Uma delas era um rapaz que olhava para a gente, acabando por perguntar depois de se introduzir na conversa em Inglês que Língua a gente falava. O rapaz era Brasileiro. Ele pensava que estávamos a falar Francês, mas estava incerto. Depois vim com a conversa do costume, em Portugal a tv exibe novelas e a cultura de Portugal nunca chegou bem a penetrar na cultura popular brasileira, etc...
Por isso, em Portugal percebe-se os brasileiros, mas o oposto no Brasil raramente acontece.

segunda-feira, dezembro 11, 2006

Pinochet: um fantoche com muitos cordeis de controlo vindos de fora do Chile

Retirado do site da RTP, mais precisamente aqui. O texto integral é muito bom, vale a pena, nada parcial, mesmo. Aqui vai uma amostra:


A Augusto José Ramón Pinochet Ugarte custou-lhe ingressar na vida militar. A primeira vez que tentou inscrever-se na Escola de Infantaria, rejeitaram-no pela tenra idade; a segunda, disseram-lhe que não cumpria os requisitos.

Só à terceira, a força de carácter daquele jovem de 17 anos, nascido em Valparaíso (cidade portuária, 140 quilómetros a Noroeste de Santiago) a 25 de Novembro de 1915, o mais velho dos seis filhos de Augusto Pinochet Vera e Avelina Ugarte Martínez, conseguiu convencer os responsáveis da Escola de que poderia dar um bom militar.

Segundo o próprio general, um episódio da infância transformou- o num fervoroso católico. Atropelado por um automóvel, esteve quase a perder a perna esquerda que os médicos chegaram a pensar amputar do joelho para baixo.

A mãe rezou por um milagre e, aceitando o conselho de um médico alemão para expor a perna do filho ao Sol, conseguiu evitar que o seu primogénito se transformasse num inválido.

Tal não aconteceu e Pinochet pôde seguir a sua carreira militar, casar em 1943 (com Lucía Hiriart) e constituir família: tem cinco filhos.

Apesar da fé católica, o general Pinochet não teve complacência com os seus inimigos em 1973.

Não só no dia do golpe, com o bombardeio do palácio presidencial de La Moneda, a morte de Salvador Allende (que se suicidou para não morrer à mão dos golpistas) e as detenções de milhares de pessoas, mas nas semanas, meses, anos posteriores, onde a ditadura usou de todos os meios para depurar a sociedade chilena de qualquer pensamento de esquerda.

Admirador do ditador espanhol Francisco Franco, Pinochet, líder da Junta Militar de Governo e Presidente do Chile a partir de 17 de Dezembro de 1974, usou de mão dura no Governo do país.

Segundo a Comissão de Verdade e Reconciliação, conhecida por Comissão Rettig, a ditadura matou 2.095 pessoas, enquanto 1.102 foram consideradas "detidas desaparecidas" (calcula-se que tenham sido mortas pela polícia ou militares, mas cujos restos mortais continuam em paradeiro incerto). Muitos milhares abandonaram o país como puderam em direcção ao exílio.

A ditadura estendeu mesmo os seus tentáculos para lá das fronteiras chilenas.

A "Operação Condor" envolveu os serviços de segurança dos países do Sul da América (Argentina, Brasil, Chile, Paraguai, Bolívia) numa cooperação para perseguir e prender os seus opositores políticos. A ideia partiu de Manuel Contreras, o chefe da DINA, a polícia política chilena.

A DINA que conseguiu assassinar o ex-ministro dos Negócios Estrangeiros de Allende, Orlando Letelier, junto com a secretária, num atentado em Washington; e o antecessor de Pinochet como chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, general Carlos Prats, em Buenos Aires.

Entregando o manejo da economia aos denominados "Chicago Boys", tecnocratas ultraliberais formados na Universidade de Chicago e influenciados por Milton Friedman, Pinochet guardava para si o resto.

Ilegalizou os partidos políticos, dissolveu o Congresso, impôs o recolher obrigatório por mais de uma década.

O facto de se vangloriar do poder absoluto de que gozava ("No Chile, não se move uma folha sem que eu saiba"), acabaria mais tarde por se voltar contra ele, ao permitir que fosse acusado (apesar de se desculpar que não sabia) da autoria moral de crimes como os da "Caravana da Morte" - em Outubro de 1973, um grupo de oficiais percorreu os vários campos de detenção executando opositores com o saldo de 75 mortos.

domingo, dezembro 10, 2006

Ai a Performance Fresquinha!!!


AVISO: Atenção, atenção! Cheira a coração frito! Este cheiro revolve-me as tripas. Onde foi parar o meu coração? Onde está? Sabes? Queres proteger o teu coração para sempre? De quê? Para quê?


Não podes proteger o teu coração, não podes proteger-te, não podes proteger, não podes nada, não podes. Sabes porque? Porque o teu coração já está frito, sem sair do teu peito o teu coração já está frito…não me perguntes quem o fritou, isso, eu não sei.



Performance Dezembro Gtist. 13,e14 Dezembro 2006 às 21.30hSala de teatro do GTIST, Secção de Folhas da AEIST, Instituto Superior Técnico.


Reservas: 91 942 7444 ou 91 794 26 64

Mais aqui.

Identidade

segunda-feira, dezembro 04, 2006

Divulgar é preciso

As Folhas

Morte Maldita

Pinochet matou, torturou, perseguiu, oprimiu, jurou perante a bandeira do Chile defender a Democracia que derrubou. Foi apoiado pelo Presidente Nixon, aplaudido e laureado pela PM Margaret Thatcher, perdoado pelo Vaticano. Agora encontra-se doente, certas vezes pior, outras melhor, nem quero saber, estou-me a borrifar para isso. Nada desejo a esse senhor, nem mal nem bem, talvez que viva estes dias de velhice com a felicidade e conforto que retirou a milhares de Chilenos. Desejar-lhe mal seria ser igual aos da laia dele. O golpe militar foi estrutural e Pinochet foi o fantoche da carnificina.

sexta-feira, dezembro 01, 2006

Mais uma coisa boa que o meu pai me mostrou quando eu era pequenita.

Supreme Court Appears, As Expected, Divided on Clean Air Act Case

Wrote the Post: "But they faced a court sometimes skeptical about whether
the remedy they seek would make much difference in the long run, and
whether they can even show they are facing the kind of imminent harm that
is required before they can press their case." At one point, Justice
Antonin Scalia asked: "I mean, when is the predicted cataclysm?

The L.A. Times said that Roberts "has made clear that he does not want the
court to decide lawsuits that pose a general disagreement with a government
policy. In his view, a motorist who has been struck by another car can sue
the other driver for compensation, but a citizen who disagrees with the
Iraq war cannot sue the government to demand an end to it."

quinta-feira, novembro 30, 2006

Revoluçoes

Acho que no dia em que deixamos de ter revoluções interiores, dúvidas, angústias, incertezas sobre as nossas escolhas de vida... Estamos mortos.

Thought of the day

Pittsburgh is kind of like fake sugar… When you don’t have real sugar around, you think that fake sugar is not that bad. But when you have real sugar around… Well.

(Sean Green, in a moment of deep inspiration)

segunda-feira, novembro 27, 2006

RUC - Um Som Sempre em Cima

Aqui

Babel

Nice movie for the weekend.

BP - O politicamente correcto

Na série... Blog sobre alterações climáticas:

Carbon Dioxide is Our Friend

E para uma versão do mundo que contrasta bastante o documentário anterior, segue um anúncio ridículo a um extremo que eu nem consigo compreender. Este vídeo é uma tentativa frustrada da Competitive Entreprise Institute, que se define como:

"The Competitive Enterprise Institute is a non-profit public policy organization dedicated to advancing the principles of free enterprise and limited government. We believe that individuals are best helped not by government intervention, but by making their own choices in a free marketplace."



Claro: porque não esqueçamos que o free market funciona sempre...

The Planet

Vale mesmo a pena ver este documentário sobre Global Change. Está esteticamente muito bem feito... É sueco, mas a maior parte está em inglês.

Aqui

domingo, novembro 26, 2006

Cesariny

do capítulo da devolução


Hoje venho dizer-te que morreste e que velo o teu corpo no meu
leito, um corpo estranho e surdo um corpo incompreensível

aquele desespero que deixou de ter forças para erguer os portais do
outro reino tristeza de menino a quem tiraram tudo, até
a tinta e as flores e o prazer de gritar

esse (foi visto) deve subsistir porque é a tua maneira de tomar banho
no cosmos, olhar o cosmos como os que ainda podem
interrogar as ondas e morrer

mas tu ainda não sabes a que ponto morreste; vais até à janela, aspiras
com cuidado o oxigénio que o espaço te oferece, apontas
rindo a meiga criatura que pela rua arrasta a sua condição
de animal fulminado

depois olhas para mim, olhas as tuas mãos, e elas ambas, tão claras,
tão seguras, são as mãos de um soldado a arder em febre,
aves a percorrer o seu novo deserto

mas tu sabes, tu vistes, e mais do que eu; a mão do homem é doce e
iluminada como a noite como um rasto de fumo sobre
os hospitais

tivemos uma história mas a história foi-se, em fileiras angélicas e
gratas, a fazer a manhã de outras paragens; outra sombra,
outros olhos semelhantes

noutro leito nas nuvens deito os teus cabelos, o teu cansaço e a
minha miséria, os teus braços e os meus, altos como
cidades, altos como flores

parou o automóvel, lá em baixo, e eu não tenho mais que descer as
escadas, fechar ainda a porta do teu quarto, atravessar de
um pulo a minha própria vida

agora posso sonhar até deixar de te ver

belo rio sem lágrimas


mário cesariny
pena capital
assírio & alvim
1982

quinta-feira, novembro 16, 2006

Aborto Portugal - Escrito com muita pressa

Jaime Nogueira Pinto (um dos poucos senhores de Direita que intelectualmente aprecio e respeito) difere a Direita da Esquerda no modo como ambas as vertentes política olham para o ser humano. A Direita acredita que o ser humano é naturalmente mau e necessita de regras para viver em sociedade a Esquerda acredita que o ser humano é naturalmente bom e é a sociedade e as suas regras que o corrompe. A Direita em Potrugal é pelo Não, uma parte por motives religiosos, a outra porque acredita que as mulheres são naturalmente levianas e fariam abortos ao desbarato como modo de contracepção o que seria uma perspectiva de imoralidade extrema. Não acredito que alguém seja contra a vida neste campo de batalha no debate do Aborto. Eu sou pelo Sim e pela vida, de Esquerda claro, acredito que uma mulher quando recorre ao Aborto o faz num acto de desespero e que o Aborto em Portugal é uma realidade. Acredito que um aborto legal vem criar locais onde mulheres em desespero podem acorrer, locais onde se podem encontrar grupos para o apoio da natalidade, gabinetes de planeamento familiar, organismos que ajudem no desepero da mulher para uma solução que pode ou não passar pelo aborto. Acredito que tal seja possível caso o Sim ganhe, espero que os do Não apoiem as mulheres mesmo se perderem, ao contrário do que se passa nos EUA, onde os pro-life gastam recursos humanos e financeiros em manifestações contra os locais de aborto e contra as mulheres deseperadas em vez de lhes dar alternativas com alguma viabilidade. Mas isso não é de Direita.

Na minha opinião o debate do Aborto em Portugal encontra-se cheio de fantasmas, ideias pré-concebidas e falácias. A maior falácia de todas é querer-se defender qualquer uma das posições com pretextos meramente científicos. Se de um lado é verdade que até às 10 semanas o embrião humano ainda não tem orgãos ou um sistema nervoso devidamente desenvolvido para sentir sofrimento, pelo outro lado, é verdade que aquele aglomerado de células diferenciadas e com algum nível de organização em certos tecidos vai dar origem a um ser humano. Se por um lado em termos de património genético, o homem ao se masturbar desperdiça milhões de meios seres humanos, a verdade é que o Não somente se interessa com as células humanas com 2n cromossomas, ou seja, depois do coito praticado. Considero positivo considerarem-se os aspectos científicos sobre desenvolvimento embrionário para se estabelecerem casos limites e evitar o absurdo mas acho que isso pouco interessa no debate de agora.

Pouco interessa porque no fim, no dia de votar, o que se acaba por se considerar são os fantasmas religiosos ou de valores. Eu pessoalmente acho que tudo o que é humano se deve tratar com muita seriedade. Por isso reprovo a tentativa do Não em propagandear, como metodologia de campanha, a luta do Sim como uma cruzada de genocidas e criminosos sem valores. Estou convicto que ambos os lados apreciam igualmente a vida humana. Embora eu esteja intimamente ligado aos aspectos científicos das fases iniciais do desenvolvimento humano, a minha opinião é de carácter político e reprovo os médicos que usam o seu estatuto para defenderem princípios que em nada tocam na Medicina.

No outro dia estava a fazer um trabalho de baixa exigência intelectual. Por isso, enquanto tratava imagens de células estaminais embrionárias ouvia o debate dos "Pros e Contras" sobre o Referendo do Aborto. Do sim estava um médico e uma das maiores nódoas da política portuguesa (Edite Estrela) e do outro mais um médico e outra das piores nódoas da política portuguesa (Zita Seabra). Edite Estrela entristece, é previsível, faz pensar que, ao ter sido escolhida, os organizadores do programa quiseram manipular para o lado do Não. Zita Seabra é arrogante e defende cegamente com todos os dentes a camisola da Direita. Aquela que acha que os seres humanos tendem todos para a maldade e que o aborto legal nos termos debatidos iria aumentar o uso dessa actividade como metodologia de contracepção e lucro com o custo de potenciais vidas humanas. Diga-se de passagem que Zita Seabra não representa o cerne ideológico do Não. Esse encontra-se no seio dos ultra religiosos como Bagão Félix, Adriano Moreira e Paulo Portas. Machos e de Direita. Zita Seabra representa um grupo de senhoras que se encontram na Direita dentro de uma gaveta fechada a sete chaves e que somente se abre nas alturas em que a Esquerda quer fazer frente ao facto de a Direita conservadora achar que "Deus nosso senhor é que decide se nasce ou não carago!!". Gostei de ouvir Zita Seabra a dizer que tinha consultado no dia anterior ao debate o estado do planeamento familiar. Senhora Zita Seabra, se a senhora se considera a paladina da luta da Direita pelo planeamento familiar e direitos da mulher, porque somente foi agora, depois da Esquerda vir outra vez com o debate que a deixa inquieta, que se preocupou em saber sobre o estado do planeamento familiar?

Desfavorecidos e Caridade

Quem vive a situação da saúde nos EUA mais directamente é quem tem mais vontade de fazer qualquer coisa, por mais pequena que seja, para contrariar as suas falhas.

Optimismo Comediante

O Governo e o Presidente da República de Portugal tentam constantemente dar mais optimismo ao investimento, ao povo e aos cidadãos em geral como tentativa de estimular a Nação a romper a crise.
Vou tentar motivar Portugal com algum optimismo. Acabei de jantar com um senhor nascido e criado na China e outro na India. Trabalhei com eles durante algum tempo e agora cada um segue o seu caminho. Vi nesta convivência um sinal de esperança para Portugal. Se um Português trabalhou ao lado de dois cidadãos de países em grande desenvolvimento e crescimento económico, Portugal pode ter chances de vencer ao lados desses países. Tambem, com a gradual descida de qualidade de vida que os portugueses hoje em dia experimentam, daqui a nada estamos a trabalhar a arroz. Cada vez mais semelhanças. O Quinto Império, uma possibilidade afinal, mais do que um sonho.

terça-feira, novembro 14, 2006

segunda-feira, novembro 13, 2006

Pink Poetry

Banda Musical: Pink Poetry
Realização e interpretação de João Manso.
Muito Bom!!

sexta-feira, novembro 10, 2006

Aborto

Agora estou num projecto de trabalho com uma senhora Genecologista Americana.
Ela disse-me:

Nos EUA o aborto pode-se fazer a qualquer altura da gravidez.
Bush, o homem super conservador, quer reduzir o período para as 24 semanas.

Eu disse-lhe:

Em Portugal, os Liberais e Comunistas querem legalizar até às 10 semanas.

O Bloco de Esquerda quer ser modestamente mais conservador que a besta do conservadorismo. E todos o criticam: os putos indisciplinados do PP, as senhoras de bem da missa, o Adriano Moreira e os outros zombies do fascismo.
Viva Portugal!!

sábado, novembro 04, 2006

Alcool e Demagogia



Existe uma Rádio em Pittsburgh de cariz político Republicano que defende a cartilha Bush em grande forma e forte tom populista. A favor da Guerra, contra os Imigrantes, os Gays, as Células Estaminais Embrionárias e as Mães Solteiras, a favor do Rick Santorum, em resumo: Nazis/Estalinistas em cruzamento com Talibans Cristãos e uns quantos fanáticos anti-Estado na mistura.
Bem, eu sou obrigado a escutar esta Rádio porque o autocarro que me leva ao local de trabalho passa sempre essa tristeza. Um gordo areano ouve-a religiosamente.
No outro dia fazia-se um programa de opinião, em que os ouvintes ligam para mandar uns bitaites. Note-se que no caso de o ouvinte discordar do locutor, primeiro diminui-se o volume do ouvinte que telefona e depois corta-se com a palavra. Pelo menos assumem-se. Em Portugal, estes animais vivem escondidos em formalismos e mascaras de boas maneiras, menos na Madeira claro, e em Viseu...
Pois nesse programa de opinião o tema era o seguinte (era sobre decretar uma lei seca sobre alcool):
Imagine um jovem de 16 anos (idade mínima para se conduzir nos EUA) que se encontra altamente embriagado na casa dos seus pais. Por um motivo estranho o jovem decide com grande vontade pegar no carro e ir dar uma volta. Os pais fazem tudo para evitar tal coisa. Tiram-lhe a roupa, escondem as chaves do carro e escondem todas as roupas do menino. O rapaz acaba por adormecer,mas a meio da noite acorda ainda sobre o efeito do alcool e com a vontade de conduzir. Consegue encontrar as chaves, mas a roupa não. Sai de carro, tem um acidente, mata pessoas, sai do carro, anda nu pela estrada e acaba por ser atropelado por um honesto trabalhador nocturno que volta para casa depois de um dia de trabalho. Acha que deve haver uma nova lei sobre o alcool, ligue para dar a sua opinião tendo em conta o caso descrito.

Isto foi real: KDKA Voice of Pittsburgh
E como estas ouvi muitas mais.

sexta-feira, novembro 03, 2006

Ao senhor Alberto João Jardim

Alberto João Jardim iniciou a sua entrevista no programa da RTP “Grande Entrevista” a dizer que esperava que Judite de Sousa não sofresse represálias por o ter convidado.
Senhor Jardim, Portugal Continental não é a Madeira, nem Viseu. No Continente vive-se uma Democracia mais vigorosa do que a debilidade Madeirense. Aqui cada um tem liberdade de dizer o que quer que seja (menos difamar obviamente - aquilo que o senhor faz constantemente) sem sofrer as represálias do tipo daquelas que o senhor aplica a quem discorda de si.

quinta-feira, novembro 02, 2006

PA Energy Policy Trends

From: http://www.planetark.com/dailynewsstory.cfm/newsid/38779/story.htm

PA - Hundreds of millions of tons of waste coal are lying around the mines of Pennsylvania and nearby states (...).


Rich is president of WMPI Pty. LLC, in Gilberton, northeastern Pennsylvania, where he is setting up the first plant in the United States to turn waste coal into diesel fuel.
"This will help clean it up once and for all," he said. "It's a lot cheaper to pick it up from the ground than to dig it out."

Rich plans to start producing diesel for the state of Pennsylvania and other clients within three years, one of a range of alternative fuel programs to displace some of the coal on which Pennsylvanians are dependent.

Pennsylvania has the fourth-largest coal reserves in the United States, and coal currently meets about 60 percent of its energy needs. It is a leader among about 20 states that have passed renewable energy laws.

"If you are looking at a classic coal state trying to convert to renewables, there is no better example than Pennsylvania," said Marchant Wentworth of the Union of Concerned Scientists in Washington.


ROTTING GARBAGE

Under Pennsylvania's 2004 Alternative Energy Portfolio Standard, power plants will be required to generate 18 percent of their electricity from renewable sources by 2020.

The state government this year doubled to 20 percent the amount of electricity it buys from renewable sources, making Pennsylvania's public sector the largest buyer of green electricity among US states.

And in a bid to capture the energy released by rotting garbage, the state now has 24 landfill methane projects, in which gas that was previously burned off is now purified and then piped to consumers or used to fire power stations.

The state is also the second-largest producer of wind energy among Eastern states, attracting Spanish wind energy company Gamesa Corp. to set up manufacturing plants in Pennsylvania.

Officials are also in talks with a leading German solar power company about setting up in the state, Department of Environmental Protection secretary Kathleen McGinty said.

By 2021, utilities will be required to boost their output of power derived from the sun to 700 megawatts, only 0.5 percent of the state's total energy needs, but the second-highest level in the United States. To help utilities meet their goals, they will be allowed to take into account energy-conservation measures - known as "negawatts" -- that their customers have implemented.

In an effort to lessen drivers' dependence on imported petroleum, Gov. Edward Rendell has proposed an initiative that would require production of 900 million gallons a year of alternative fuels such as biodiesel and ethanol within 10 years.

That is equivalent to the amount of petroleum expected to be imported to the state annually from the Persian Gulf by that time.

But some environmentalists worry that, like other US states, the focus is more on the politically popular effort to reduce reliance on foreign oil rather than on clean energy that will reduce emissions of gases that cause global warming.

Of the planned 18 percent of electricity that is supposed to come from renewable sources by 2020, about a quarter is expected to come from waste coal and coal gasification, which are not renewable and which contribute to global warming.

"There are reservations about this being the best way to do a portfolio standard," said Elizabeth Martin-Perera, a climate-policy specialist at the Natural Resources Defense Council.

Ministers from almost 190 governments will meet in Nairobi from Nov. 6-17 for annual UN talks about ways to speed up a fight against global warming, including shifting away from fossil fuels.


DON'T USE THE MICROWAVE

But in its conservation efforts, the state cannot be faulted. Thermostats are turned down in state offices; workers are not allowed to use personal appliances such as microwaves; and the state has begun to replace its fleet of gas-guzzling sport utility vehicles with fuel-efficient hybrid cars.

The result is that the government's energy consumption fell by 6 percent in the first half of 2006 and is due to decline to 15 percent below late-2005 levels by the end of this year, McGinty said.

At the local level, the state provides financial assistance to public and private enterprises to set up clean-energy projects. Among 16 such awards announced in early October were US$350,000 to a school district for a biomass-fired boiler heating system; US$150,000 to a water company to install backup wind and solar power generators, and US$700,000 to a fund that supplies photovoltaic systems for solar-power generation.

Through such measures, Pennsylvania is distinguishing itself from many other states that are traditionally dependent on coal, said Martin-Perera of the Natural Resources Defense Council. "They are working hard to attract renewable-energy businesses. They have gone further than most of the major coal states."

terça-feira, outubro 31, 2006

Thinking about energy efficiency these days...

Residential per capita electricity consumption in the US is more than twice the one of the EU. This sentence by itself could be chocking, if it would be new. But no. This is the results of a stable trend that started before the 90ies and still keeps.

The US per capita residential electricity consumption is effectively amazingly high, and this is an even more dramatic question if the picture is redraw in terms of GHG emissions.

One could search for answers for the US residential electricity consumption intensity on the weather or on wealth. As expected, the climate energy requirements are not the answer to such intensity. The same can not be said concerning wealth: in fact, it is true that per capita US GDP is still much higher than the average EU (even taking into account PPP and for real values).

Nevertheless, if one compares US GDP per capita with most of the Scandinavian countries, the values are close enough to question the role of efficiency (as well as cultural differences) on an energy national system.

Norway has a huge per capita residential electricity consumption, but it is 99% reliant on hydropower, thus the GHG pressures are not comparable to the US. Similarly, Denmark has 30% wind and Sweden as something like 50% of renewable. This makes the environmental pressures due to GHG emissions from the US electric sector being reasonably (☺) different from the ones of the Scandinavian countries.

sexta-feira, outubro 27, 2006

A Crise

Cabeleireiro (ou pequenas coisas da vida)

A outra coisa má de Pittsburgh (chamem-me snob, mas queria-vos ver) é não haver cabeleireiros de jeito. Tenho o cabelo que é uma tristeza e lá terei de esperar mais 7 meses para o cortar. Na última experiência (7 meses atrás) de um corte de cabelo nos USA, raparam-me o pescoço até à altura das orelhas. Ia eu partir no dia seguinte para um casamento em Portugal. Foi deprimente.

Portugal vale a pena

Eu gostei muito deste texto, por isso aqui vai:

Eu conheço um país que tem uma das mais baixas taxas de mortalidade de
recém-nascidos do mundo, melhor que a média da União Europeia.

Eu conheço um país onde tem sede uma empresa que é líder mundial de
tecnologia de transformadores. Mas onde outra é líder mundial na produção de
feltros para chapéus.

Eu conheço um país que tem uma empresa que inventa jogos para telemóveis e
os vende para mais de meia centena de mercados. E que tem também outra
empresa que concebeu um sistema através do qual você pode escolher, pelo seu
telemóvel, a sala de cinema onde quer ir, o filme que quer ver e a cadeira
onde se quer sentar.

Eu conheço um país que inventou um sistema biométrico de pagamentos nas
bombas de gasolina e uma bilha de gás muito leve que já ganhou vários
prémios internacionais. E que tem um dos melhores sistemas de Multibanco a
nível mundial, onde se fazem operações que não é possível fazer na Alemanha,
Inglaterra ou Estados Unidos. Que fez mesmo uma revolução no sistema
financeiro e tem as melhores agências bancárias da Europa (três bancos nos
cinco primeiros).

Eu conheço um país que está avançadíssimo na investigação da produção de
energia através das ondas do mar. E que tem uma empresa que analisa o ADN de
plantas e animais e envia os resultados para os clientes de toda a Europa
por via informática. Eu conheço um país que tem um conjunto de empresas que
desenvolveram sistemas de gestão inovadores de clientes e de stocks,
dirigidos a pequenas e médias empresas.

Eu conheço um país que conta com várias empresas a trabalhar para a NASA ou
para outros clientes internacionais com o mesmo grau de exigência. Ou que
desenvolveu um sistema muito cómodo de passar nas portagensdas
auto-estradas. Ou que
vai lançar um medicamento anti-epiléptico no mercado mundial. Ou que é líder
mundial na produção de rolhas de cortiça. Ou que produz um vinho que "bateu"
em duas provas vários dos melhores vinhos espanhóis. E que conta já com um
núcleo de várias empresas a trabalhar para a Agência Espacial Europeia. Ou
que inventou e desenvolveu o melhor sistema mundial de pagamentos de cartões
pré-pagos para telemóveis. E que está a construir ou já construiu um
conjunto de projectos hoteleiros de excelente qualidade um pouco por todo o
mundo.

O leitor, possivelmente, não reconhece neste País aquele em que
vive -
Portugal.

Mas é verdade. Tudo o que leu acima foi feito por empresas fundadas por
portugueses, desenvolvidas por portugueses, dirigidas por portugueses, com
sede em Portugal, que funcionam com técnicos e trabalhadores portugueses.

Chamam-se, por ordem, Efacec, Fepsa, Ydreams, Mobycomp, GALP, SIBS, BPI,
BCP,Totta, BES, CGD, Stab Vida, Altitude Software, Primavera Software,
Critical Software, Out Systems, WeDo, Brisa, Bial, Grupo Amorim, Quinta do
Monte d'Oiro, Activespace Technologies, Deimos Engenharia, Lusospace,
Skysoft, Space Services. E, obviamente, Portugal Telecom Inovação. Mas
também dos grupos Pestana, Vila Galé, Porto Bay, BES Turismo e Amorim
Turismo.

E depois há ainda grandes empresas multinacionais instaladas no País, mas
dirigidas por portugueses, trabalhando com técnicos portugueses, que há anos
e anos obtêm grande sucesso junto das casas mãe, como a Siemens Portugal,
Bosch, Vulcano, Alcatel, BP Portugal, McDonalds (que desenvolveu em Portugal
um sistema em tempo real que permite saber quantas refeições e de que tipo
são vendidas em cada estabelecimento da cadeia norte-americana). É este o
País em que também vivemos. É este o País de sucesso que convive com o País
estatisticamente sempre na cauda da Europa, sempre com péssimos índices na
educação, e com problemas na saúde, no ambiente, etc.

Mas nós só falamos do País que está mal. Daquele que não acompanhou o
progresso. Do que se atrasou em relação à média europeia.

Está na altura de olharmos para o que de muito bom temos feito. De nos
orgulharmos disso. De mostrarmos ao mundo os nossos sucessos - e não
invariavelmente o que não corre bem, acompanhado por uma fotografia de uma
velhinha vestida de preto, puxando pela arreata um burro que, por sua vez,
puxa uma carroça
cheia de palha.

E ao mostrarmos ao mundo os nossos sucessos, não só futebolísticos
colocamo-nos também na situação de levar muitos outros portugueses a
tentarem replicar o que de bom se tem feito.

Porque, na verdade, se os maus exemplos são imitados, porque não hão-de os
bons serem também seguidos?

Nicolau santos, Director - adjunto do Jornal Expresso

domingo, outubro 22, 2006

Os produtos culturais

Em Portugal, existe um enorme preconceito por parte de organismos de investimento estaduais ou privados em se considerar o apoio financeiro a eventos e projectos culturais como potencialmente lucrativos. Na verdade, o financiamento da cultura portuguesa tem-se efectuado em sistemas de esmola, caridade ou filantropia, sem nunca se pensar num esquema paralelo de potencial investimento tendo em vista o lucro. Faz já algum tempo que os EUA, o Reino Unido e a França por exemplo exportam cultura. Penso sem dados de base que comprovem o que estou a exprimir, mas acho que essa actividade aumenta o valor das exportações desses países e desperta a vontade das pessoas no estrangeiro em fazer turismo nesses países.
Excluindo o velho fado, mesmo pela bela voz de Mariza ou pelos Cds da Amália e a literatura de Saramago, o investimento no cinema, no bailado/dança, no teatro, nas artes plásticas e em produtos paralelos do desenvolvimento da cultura como a publicidade e marketing poderiam ser potenciais e inovadores focos de investimento lucrativo em Portugal tendo em vista o mercado estrangeiro. Mas no entanto considero, como acontece com ciência de base versus ciência aplicada, que nunca se deve parar de apoiar ao estilo da filantropia, caridade ou esmola projectos sem perspectivas de lucro. Quem diria que Pina Bausch ou os Fura Dels Baus teriam potencial lucrativo antes de o demonstrarem? Em cultura deve-se arriscar mais. Um em mil falham certamente, mas fica sempre um que pode valer bem a pena o investimento. Mas existe a outra face da medalha: ser artista em Portugal deve ser das actividades mais precárias. Isso deve ser pouco atractivo para se enveredar por tal carreira.

sábado, outubro 21, 2006

Poesia de velhos tempos

Descobri "Os Versos do Capitão" de Pablo Neruda quando tinha 15 anos. Foi dos livros de poesia que me marcou mais.
Do Largo do Karma tirei o seguinte:

O vento na ilha

O vento é um cavalo:
ouve como ele corre
pelo mar, pelo céu.

Quer levar-me: escuta
como percorre o mundo
para levar-me para longe.

Esconde-me em teus braços,
por esta noite apenas,
enquanto a chuva abre
contra o mar e contra a terra
a sua boca inumerável.

Escuta como o vento
me chama galopando
para levar-me para longe.

Com tua fronte na minha
e na minha a tua boca,
atados os nossos corpos
ao amor que nos abrasa,
deixa que o vento passe
sem que possa levar-me.

Deixa que o vento corra
coroado de espuma,
que me chame e procure
galopando na sombra,
enquanto eu, submerso
sob os teus grandes olhos,
por esta noite apenas
descansarei, meu amor.

Pablo Neruda in "Os versos do capitão".

segunda-feira, outubro 16, 2006

Os livros são importantes. Mas será que existe um livro mais importante que os outros?

1 Ano

Sim senhor, 1 anito de blogadas, bitaites e debates. Neste momento encontro-me cheio de trabalho, por isso respondo a tudo como o Cavaco Silva em tempos de Primeiro Ministro: deixem-me trabalhar. Mesmo assim, obrigado leitores e vamos continuar a blogar em Lutas Livres. Pelo menos mais um anito, vamos ver. Liberdade absoluta, sem index, censura ou atitudes pidescas. Conto convosco. De momento desculpem pela pobreza do momento, mas melhores alturas se aproximam.
Fiquem bem e mais uma vez obrigado.

quinta-feira, outubro 12, 2006

Divine Comedy


Tonight we fly
Over the houses, the streets and the trees -
Over the dogs down below;
They'll bark at our shadows
As we float by on the breeze.
Tonight we fly
Over the chimney tops, skylights and slates -
Looking into all your lives
And wondering why
Happiness is so hard to find.
Over the doctor, over the soldier,
Over the farmer, over the poacher,
Over the preacher, over the gambler,
Over the teacher, over the writer,
Over the lawyer, over the dancer,
Over the voyeur,
Over the builder and the destroyer,
Over the hills and far away!
Tonight we fly
Over the mountains, the beach and the sea
Over the friends that we've known,
And those that we now know
And those whom we've yet to meet.
And when we die
Oh, will we be that disappointed or sad?
If heaven doesn't exist,
What will we have missed?
This life is the best we've ever had!

quarta-feira, outubro 11, 2006

terça-feira, outubro 10, 2006

Jardim e Ruas a liderarem a oposição ao governo pelo PSD

Fernando Ruas: Governo ataca as autarquias porque ainda não "engoliu" vitória do PSD
Este homem é um poço de contradições. Ainda no outro dia fez notar o facto de que a luta que trava não é partidária, mas sim a defesa de um sistema de poder local que ele representa. De mentiroso e de estúpido Fernando Ruas tem que chegue. O problema é ele pensar que toda a gente é estúpida como ele, Portugal não é o Rossio em Viseu, onde o senhor Ruas tudo pode fazer e dizer sem consequências. Isto faz lembrar a sua recente polémica declaração lapidar: "Corram-nos à pedrada, a sério. Arranjem lá um grupo e corram-nos à pedrada. Eu estou a medir muito bem aquilo que digo". Esta foi uma de muitas declarações deste tipo no Rossio viseense.
Eu percebo porque Ruas mudou a sua atitude, o seu companheiro de oposição ao governo (Alberto João Jardim) tem-se fartado de regurgitar críticas ao Governo a tresandar a vinho. Cheio de inveja, Ruas elevou o seu pedigree e arremassou a sua boca brejeira com o intuito de igualar o Canavalíssimo Presidente da Madeira. Acontece que isto é ridículo e Ruas somente perde credibilidade com esta atitude. Ontem afirmava defender todos os autarcas: Socialistas, Populares, Sociais Democratas, Comunistas e Bloquistas e hoje declara o verdadeiro motivo da sua luta: usar os autarcas, usar o voto dos viseenses para a ala corrupta do PSD atacar o Governo e ganhar mais notoriedade.
Achei muito engraçadas as declarações de Marques Mendes relativamente a esta inventada luta de Ruas. Por um lado disse que os autarcas devem ter autonomia, pelo outro disse que devia haver mais rigor e menos endividamento nas autarquias. Note-se que, ao contrário do que muitas vezes se passa, Marques Mendes encontrava-se muito pouco convicto no modo de falar e um pouco embaraçado nas palavras. Por um lado o ainda chefe do PSD apoia o Governo, pelo outro encontra-se refém de forças internas do PSD que controlam grande parte das suas bases partidárias e acanha-se perante o lado corrupto do seu partido.

domingo, outubro 08, 2006

sábado, outubro 07, 2006

Adeus Fidel


Aqui
Lembro-me do meu livro de História do 9 ano ter no fim uma lista das personalidades mais importantes do sec XX. Das considerdas, a única que ainda se encontrava viva na altura era Fidel Castro. Isto foi em 1995.

sexta-feira, outubro 06, 2006

Nunca pensei tal acontecer

Pela primeira vez em toda a minha vida concordei com um dicurso de Cavaco Silva. Foi o discurso de ontem para comemorar a instauração da República. Cavaco acusou a corrupção como o principal entrave ao desenvolvimento da Democracia em Portugal. E mais, disse que o exemplo deve vir de cima. Considerei uma maravilha tal discurso. Eu pessoalmente acho que em cima, nas esferas de poder existe mais gente a viver dos problemas originados da corrupção do que das soluções, veja-se a polémica e atrito que surgiram em reacção às alterações no sentido de se reduzir as regalias de altos directores do Estado e de cargos políticos quando o Governo PS iniciou o mandato. Até no PS, houve gente muito preocupada com essa estratégia de reforma, a Maria de Belém deu a cara contra tais mudanças por exemplo.
Mas mais, lembro-me dos tempos de Governo Cavaco, eu em Viseu via com mais clarividência o mundo corrupto da altura, o mundo das cunhas, dos cartões laranja para se ser benificiado em algo e ganhar mais dinheiro. Eu considero este discurso de Cavaco Silva o resultado de um profundo exame de consciência sobre o que o seu Governo da altura promoveu e ajudou no sentido de edificar esquemas de corrupção por esse Portugal fora para salvaguarda do poder. Vale mais tarde do que nunca.
Quando alguma Direita quer privatizar com o pretexto de posteriormente à privatização se confiar no cumprimento da lei para tudo funcionar legalmente e igual para todos, engana-se na aplicabilidade do que propõe porque em Portugal existe corrupção.
Quando alguma Esquerda defende o pagamento de impostos, propinas e mais taxas do Estado de acordo com o rendimento familiar, engana-se na aplicabilidade do que propõe porque em Portugal existe corrupção.
A corrupção é hoje em Portugal o entrave à aplicabilidade do progresso e desenvolvimento.

quinta-feira, outubro 05, 2006

Hoje saí à rua assim

Sweden

O novo primeiro ministro da Suécia prometeu baixar os impostos para os que ganham pouco, o que considero muito socialmente correcto e apoio. Adicionalmente, prometeu reduzir os apoios aos desempregados, mas sempre preservando o modelo Sueco. Num país onde o desemprego jovem cresce a larga escala e as classes imigrantes encontram problemas em arranjar emprego, reduzir os apoios aos desempregados e preservar o modelo Sueco parece-me algo paradoxal.
No entanto, financeiramente as contas parecem-me bem feitas, menos income nos impostos, menos outcome nos apoios aos desempregados. Vamos ver como as taxas de criminalidade e problemas sociais vão evoluir com este novo Governo Sueco. Para mim, algo me parece cada vez mais Universal: as pessoas cada vez menos se preocupam com o bem estar da Sociedade, mas simplesmente com o individual. E por individual entendo o facto de eu me preocupar comigo, com os meus familiares e amigos e me marimbar para os outros. Será este modo generalizado de pensar, viver e eleger governos sustentável para o futuro do planeta?

terça-feira, outubro 03, 2006

Numa comunidade perto de nos...

A fifth girl died today after horror struck a tranquil Amish community in Pennsylvania when an armed man burst into a one-room schoolhouse and opened fire.

Two young pupils and a teenage aide were killed instantly. One girl died overnight and another died today. All female and all Amish, they were shot in the head.

http://news.independent.co.uk/world/americas/article1783748.ece

sábado, setembro 30, 2006

Miguel Esteves Cardoso e Marquises

"As marquises são como os capachinhos. Não é preciso uma rajada de vento
para destaparem a careca a quem os usa - muito mais do que se estivessem
de careca destapada, ao ar livre, como deve ser".

Está um texto muito giro no Expresso sobre as Marquises de Lisboa...

sexta-feira, setembro 29, 2006

Mais Viseu

Hoje o senhor João Cotta, que eu não sei quem seja, ouvi o seu nome pela primeira vez, Presidente da Associação de Empresários de Viseu, que eu não sabia que existia, reclamou na tv uma crise industrial e empresarial que se vive na Região de Viseu.
Disse que se tem que se apostar em mão de obra qualificada e não intensiva, concordo absolutamente.
Disse que a criação da prometida Universidade em Viseu pelo ido governo PSD poderia acabar com a crise que aclama, discordo absolutamente.
O que não falta em Viseu são jovens que vão estudar para Coimbra, Aveiro, Lisboa, Porto, Vila Real e outras cidades e adquirem uma formação especializada em Engenharia, Gestão e Economia. Quando voltam para a terra, encontram uma absoluta ausência de emprego e são forçados a abandonar Viseu e arredores para ir trabalhar para outras paragens.
Esta declaração deste senhor João Cotta (que eu não sei quem seja) tem todas as marcas da presença do PSD de Viseu na sua formulação. Porquê?

1- Não fala da ausência de apoios ou incentivos logísticos ou fiscais por parte da Câmara Municipal de Viseu (PSD - Fernando Ruas) para criação de empresas na zona.
2- Insiste no absurdo cavalo de batalha do PSD-Viseu em criar uma Universidade na Cidade, o que me leva a pensar que isto não passa de um embuste para fazer política politiqueira, em vez de se agir pelo bem de Viseu.
3- Não defende algo mais lógico como uma aposta no Ensino Profissional Especializado, em vez de se formarem mais Engenheiros e Gestores que hoje em dia fogem de Viseu por falta de oportunidade de emprego.

Considero uma vergonha aproveitar-se um assunto muito sério como a crise empresarial em Viseu para se defender o Lobby das Construtoras / Imobiliárias / Câmara Municipal de Viseu em deterimento do custo para Portugal e a falta de sustentabilidade que existe na criação de uma Universidade em Viseu.

Modelos Americanos


Barbie, a Grande.

quinta-feira, setembro 28, 2006

Modelos Americanos

Nos tempos em que estive por terras Francesas parei de ver tv, ver as capas das revistas rosa ou ouvir progamas de Rádio mais comerciais. Ouvi nuito a Rádio da UTC. Durante o breve tempo que estive em Portugal, dediquei-me mais aos amigos, a Viseu e a Lisboa do que ao mundo pop internacional.
Por isso quando cheguei aos EUA e vi e ainda vejo por tudo o que se considera revista rosa esta pessoa:


Pensei que era esta:



Mas mais velha e com umas quantas plásticas. Envelhecimento e tratamento de fama natural. Estranhava o facto de lhe chamarem de Jessica Simpson, mas cheguei a pensar que tinha mudado de nome, como o Prince fez quando se passou a chamar Victor.

Somente quando voltei a ter tv, reparei que são pessoas diferentes ao ver a Britney Spears com um filho e igual ao que sempre foi, mas com um envelhecimento não no sentido da fama, mas igual ao meu e ao dos outros.
Disto somente posso pensar que para mim as americanas são todas iguais, somente agora começo a ver as diferenças e a distinguir as pessoas na rua.

quarta-feira, setembro 27, 2006

Opera de Berlim suspendeu obra de Mozart por medo de reacções islâmicas

Eu sou um gajo com pouco dinheiro e gostava de encontrar um local com um bom café expresso em Pittsburgh. Como não tenho dinheiro para oferecer como recompensa por tal informação, prometo mil virgens no alto dos céus e um lugar ao lado do Criador depois de morrer a quem me ceder tal informação. Eu considero uma boa oferta, hoje em dia as virgens e os lugares ao lado dos criadores estão pela hora da morte.

Eu nunca tive jeito para piadas, admito, mas fico ressaibiado quando a sensibilidade islâmica chega a Mozart. Desculpem, eu depois, para compensar, conto aquela da Virgem Maria que pensava que era Virgem e atirou uma pedra a Jesus Cristo quando este pediu a quem nunca tivesse pecado que atirasse a primeira pedra, ou talvez transcrevo um texto do Gil Vicente a gozar com os Judeus do Renascimento em Portugal.

terça-feira, setembro 26, 2006

Reflexo Condicionado

Hoje, enquanto lia uns papers, ouvia a Antena 2 (Programa RITORNELO) como barulho de fundo para me abstrair da azáfama do meu local de trabalho. De repente ouvi uma versão de uma música de Richard Strauss que passava na peça "A MATO" de Susana Vidal do GTIST. Essa peça foi das obras que mais gostei de construir na minha ainda curta vida, para mim a melhor peça de sempre, com alguns defeitos de luz e som, mas a melhor. Bem, fazia muito que não pensava n'"A MATO", mas o som não me fez somente relembrar o acontecimento, mas acima de tudo sentir a tristeza que sentia no momento da peça em que a música passava. E fazia muito tempo que eu não sentia isso. Por uns momentos, estive em Lisboa em 2001, a fazer o que mais se aproximou de Stanislavsky em tudo o que tentei em teatro ou algo assim, isto para não insultar os actores verdadeiros e bons a dizer que fiz teatro.

Grande auto retrato, muito bom.



Aqui.

sexta-feira, setembro 22, 2006

Xenofobia

Considero o bloqueio a um livre sistema de Circulação dos produtos do terceiro mundo (emergente ou não) para a Europa ou EUA uma forma de xenofobia. A defesa de um mercado de acesso igual e global para todos devia ser uma defesa tão séria por parte da UN como a defesa dos Direitos Humanos por esse Mundo fora.

Compromisso Portugal

O puro fascismo é um grupo de poder fora do poder que vem do voto do povo, com interesses políticos bem definidos e óbvios, dizer que as suas ideias sobre Portugal são dogmas apartidários e apolíticos, cientificamente provados, caminhos indiscutíveis para o progresso e para se sair da crise. Pois essa foi a essência de todos os fascismos de esquerda e de direita no sec XX para se validar um partido único. Diz-se que o problema é facilmente exposto, juntam-se umas personalidades socialmente relevantes, promovem-se outras personalidades para se tornarem socialmente relevantes, destaca-se o grupo fora dos partidos que com ele se encontram envolvidos e dos preconceitos relativamente ao que é político e pumba. Em vez do partido único temos as ideias únicas, o caminho único, o pensamento único. Temos o maior cinismo alguma vez visto depois do 25 de Abril em Portugal. Isto são empresários de sucesso que vivem da crise, da falta da competitividade de pequenas e alternativas grandes empresas, dos despedimentos, do abaixamento dos salários, que esperam de boca aberta alguma cerejinha privatizada do Estado para fazer um acordo debaixo da mesa com um qualquer Minitro/Cunhado/Amigo para ter prioridade na compra e lucrar. Eles querem Compromisso Revitalizar a Classe Empresarial Típica e Tradicionalmente chica esperta.
Esta dedica-se aos senhores da UGT: votaram no Cavaco, apoiaram o Cavaco, agora piam fino e vivem o terror do Conservadorismo de Direita, cada um colhe o que semeou.

quarta-feira, setembro 20, 2006

Chamuça Power

Este post é só para dar uma força à grande Inês Costa: filha, és a maior! May the Chamuça Power be with you e nada de ir abaixo!

Spamalot


Um espectáculo maravilhoso, para rir do princípio ao fim. Very nice! Já tinha saudades de um espectáculo tão boa onda!

Mais um texto Póstumo para nunca me esquecer do verdadeiro sentido da vida

Recebi isto faz já algum tempo. Um tipo de texto que cada vez mais faz falta. As nossas mulheres e homens sérios dos dias de hoje riem-se de quem pensa assim, riem-se de quem se quer sentir bem com os outros em vez de contribuir para o velho moderno mundo da Selva de Pedra, do colectivo de homens isolados e com vergonha de serem humanos, do modelo de mulher Tatcher e homem Donald Trump.
Sou homem, sou de carne, sou preto, judeu, árabe, cigano, mexicano, asiático, homossexual, travesti, branco, vermelho, azul, tenho 2n cromossomas e o meu esperma n, amo uma mulher com quem vivo, vivo aqui, ao teu lado e sou como tu.

"Se por um instante Deus se esquecesse de que sou uma marioneta de trapo e me oferecesse mais um pouco de vida, não diria tudo o que penso, mas pensaria tudo o que digo. Daria valor às coisas, não pelo que valem, mas pelo que significam.

Dormiria pouco, sonharia mais, entendo que por cada minuto que fechamos os olhos, perdemos sessenta segundos de luz. Andaria quando os outros param, acordaria quando os outros dormem. Ouviria quando os outros falam, e como desfrutaria de um bom gelado de chocolate!
Se Deus me oferecesse um pouco de vida, vestir-me-ia de simples, deixando a descoberto, não apenas o meu corpo, mas também a minha alma.

Meu Deus, se eu tivesse um coração, escreveria o meu ódio sobre o gelo e esperava que nascesse o sol.
Pintaria com um sonho de Van Gogh sobre as estrelas de um poema de Benedetti, e uma canção de Serrat seria a serenata que ofereceria à lua.

Regaria as rosas com as minhas lágrimas para sentir a dor dos seus espinhos e o beijo encarnado das suas pétalas...
Meu Deus, se eu tivesse um pouco de vida... Não deixaria passar um só dia sem dizer às pessoas de quem gosto que gosto delas.

Convenceria cada mulher ou homem que é o meu favorito e viveria apaixonado pelo amor. Aos homens provar-lhes-ia como estão equivocados ao pensar que deixam de se apaixonar quando envelhecem, sem saberem que envelhecem quando deixam de se apaixonar!

A uma criança, dar-lhe-ia asas, mas teria que aprender a voar sozinha.
Aos velhos, ensinar-lhes-ia que a morte não chega com a velhice, mas sim com o esquecimento. Tantas coisas aprendi com vocês, os homens... Aprendi que todo o mundo quer viver em cima da montanha, sem saber que a verdadeira felicidade está na
forma de subir a encosta.

Aprendi que quando um recém-nascido aperta com a sua pequena mão, pela primeira vez, o dedo do seu pai, o tem agarrado para sempre.

Aprendi que um homem só tem direito a olhar outro de cima para baixo quando
vai ajudá-lo a levantar-se. São tantas as coisas que pude aprender com vocês, mas não me hão-de servir realmente de muito, porque quando me guardarem dentro dessa maleta, infelizmente estarei a morrer..."


GABRIEL GARCIA MARQUEZ

segunda-feira, setembro 18, 2006

Texto inédito do falecido Reis Borges

Recebi do PUBLICO.PT e gostei. Costumo reprovar a ode ao "anti-espanholismo" como forma de estimular Portugal e este tipo de paralelismos entre países diferentes com realidades e tamanhos diferentes, mas deste texto gostei.

Senhores, aprendam.

Vítima de doença prolongada, Reis Borges faleceu no dia 10 de Setembro, no Hospital Pulido Valente, em Lisboa.

1. Mesmo aqui ao lado e à vista de toda a gente, os nossos vizinhos elaboraram (no fim dos anos 70) o seu Livro Branco dos Transportes, o qual foi amplamente discutido e aprovado no Parlamento espanhol. Seguiram-se os correspondentes programas sectoriais (desenvolvidos durante a década de 80), criando mercado, especializando engenharia e empenhando a indústria de construção. Era a Espanha a preparar-se, com todo o afã, para a sua próxima entrada na comunidade europeia. As principais construtoras portuguesas constituíram então um agrupamento, designado Intercom, para se candidatarem aos milhares de milhões de pesetas dos concursos lançados para o desenvolvimento das infra-estruturas de transportes (para além dos trabalhos relativos aos Jogos Olímpicos de Barcelona e à Expo de Sevilha) em execução do lado de lá da fronteira. Nem uma adjudicação, ou melhor, uma subempreitada em Gibraltar foi o balanço dessa fracassada aventura que foi completamente ignorada pelo Governo português. É conhecido o proteccionismo do mercado espanhol, com uma prática, aliás, em tudo semelhante à dos demais países europeus. Mas as nossas construtoras, com a velha e conhecida cultura de preços de cartel, não tinham condições de competitividade e foi o que aconteceu. Ao invés, o Governo espanhol comandou a reorganização das suas construtoras, assegurou-lhes músculo financeiro e lançou-as na conquista dos mercados português e latino-americano. Foi o que aconteceu e com o sucesso conhecido. Mais alguns apontamentos recordando diferentes posturas da Espanha democrática (hoje oitava economia mundial) e do nosso país. Num abrir e fechar de olhos converteu-se um porto de pesca (Algeciras) no transhipment da Península. Três dezenas de anos à volta de Sines, cometeu-se a proeza de atribuir, a um consultor externo, uma concessão através de decreto-lei. Com a mesma política comunitária, a Espanha converteu-se na terceira potência mundial de pesca e Portugal trocou a sua frota por automóveis topo de gama. Depois de anos de intensa preparação, a Espanha lançou-se (em 1986) na construção da alta velocidade ferroviária no percurso Madrid-Sevilha a par dum programa calendarizado de migração da bitola ibérica para a standard (europeia). O presidente da Renfe até veio a Lisboa explicar os propósitos espanhóis. Não obstante, Portugal nada fez relativamente à bitola e lançou-se na aventura da modernização da Linha do Norte. em bitola ibérica. E, quando se decidiu (a meio da década de 90) pensar na alta velocidade, não tinha um único engenheiro que, alguma vez, tivesse tido contacto com projectos semelhantes. Mesmo assim, houve o despudor de abrir concursos exigindo experiência na matéria e realização de trabalhos de, pelo menos, milhão e meio de euros! Com um investimento da ordem dos 6000 milhões de euros remodelou-se profundamente Barajas, dotando-o de uma capacidade horária de 120 movimentos e processamento de 75 milhões de passageiros anuais. A saga da Ota é a que se conhece, mal se conseguindo uma capacidade de 70 movimentos e 35 milhões de passageiros, sem possibilidade de ampliação futura das suas instalações. A Espanha apetrechou-se com um poderoso instrumento (INECO-TYFSA) no domínio da consultoria especializada, da investigação e desenvolvimento e da cooperação internacional. Dispõe hoje de 1680 técnicos qualificados, dos quais 750 universitários. Já ganhou mercado no Brasil, Cabo Verde e Europa do Leste, para além da América Latina, em que está naturalmente implantada. Em Portugal e no âmbito das chamadas engenharias integradas, criou-se a Ferbritas e a Ferconsult. Esta permitiu (dado o seu estatuto) a entrada directa da engenharia espanhola para os projectos e fiscalização das obras do metro. Mas as duas são essencialmente prateleiras dos partidos (com vocação de poder) no rotativismo das administrações ferroviárias. Finalmente, os governantes espanhóis foram quase sempre escolhidos entre profissionais e/ou académicos, profundos conhecedores do sector. De Portugal basta ler os curricula... Em suma: o poder político nada aprendeu com a Espanha, nas últimas três décadas, entretido que tem estado com os negócios do "centrão" de interesses e na satisfação das respectivas clientelas na gestão pública.



2. O Ministério de Fomento espanhol logo que concluiu (através da INECO-TYFSA) os estudos preliminares dum novo aeroporto de Madrid, em Campo Real, remeteu-o à comunidade madrilena, alertando-a para a possibilidade desta vir a perder 55.000 empregos e 4000 milhões de euros caso não entre em serviço, no horizonte de 2020, essa nova infra-estrutura. É que estudos prospectivos conhecidos apontam para a eventualidade de saturação dos complexos aeroportuários de Londres e Paris em tal horizonte e quando atingidos níveis da ordem dos 150 milhões de passageiros/ano. Daí aconselhar-se que a Espanha se posicione como plataforma de redistribuição do tráfego Atlântico para a Europa. Para o efeito, a reserva de 8466 hectares em Campo Real e a 25 km de Madrid permite a implantação dum sistema de cinco pistas (sendo uma reversível) e a ampliação para mais duas, com uma capacidade horária de 245 movimentos e o processamento de 150 milhões de passageiros. Para além das indispensáveis conexões rodoviárias, a linha AVE para Barcelona seria prolongada, ligando Campo Real às estações de Atocha ou Chamartin. Do mesmo modo a linha 9 do metro. Espera-se assim que o aeroporto intercontinental (como lhe chamam) de Campo Real possa proporcionar a criação de 300.000 empregos (dos quais 230.000 na comunidade de Madrid), para além de incrementar o PIB bruto da região em mais de 21.000 milhões de euros.

Ou seja, quando em breve for inaugurada a remodelação de Barajas, já se saberá o que irá seguir-se (nos próximos 25 anos) em termos de oferta aeroportuária da capital espanhola. Sem drama, sem estrangeiros, sem privatizações, sem project-finances, sem negócios de transparência duvidosa. O que importa, pois, é reter o método de abordagem da questão numa articulação do Ministério do Fomento com a Comunidade de Madrid a garantir seriedade política e rigor nas avaliações da viabilidade técnica, económica e ambiental. O que importa é fazer a analogia com a recusa de Rio Frio (ou Porto Alto, ou Alcochete) e a cooptação da Ota.



3. A nossa elite, vesga e roída de inveja, faz por não perceber que a visibilidade internacional de Durão e Guterres - mesmo que em contraponto com as suas fracas prestações internas - muito tem contribuído para a aposta americana em Portugal. Seja como for, o certo é que Sócrates está perante um dilema com consequências profundas no futuro de Portugal. Tem de escolher sem hesitações entre o rigor e o MIT, por um lado, e a mediocridade e o negocismo, por outro lado. Ou indica à juventude portuguesa o espírito de Bill Gates ou deixa-a na aprendizagem do saque público em que se convertem as nossas "jotas". Ou pretende Livros Brancos redigidos de forma independente e competente ou entra numa de branqueamento que não leva a lado nenhum. Ou prepara políticas sectoriais sérias ou terá às costas uma gestão pública que acabará por cair de podre. Ou impõe nova relação dialéctica entre membros do Governo, deputados e militantes ou não resistirá para além da legislatura. Vamos ter três anos sem eleições. Tempo bastante para as reformas necessárias.

Senhores, aprendam (pelo menos) com os espanhóis.



Reis Borges

(Conselheiro de Obras Públicas e Transportes - Jubilado)

Ex-Deputado da República pelo Círculo de Lisboa

Fevereiro de 2006

domingo, setembro 17, 2006

Globalizaçao


Ai esta coisa da globalização. O Monsieur Propre da Bélgica é, aqui, pouco criativamente, o Mr. Clean.

(Nota: Ontem pasámos 3h a limpar a casa.)

sábado, setembro 16, 2006

Cuidado para os que se encontram nos EUA

Ler aqui.

Tese de Mestrado

Isto é a primeira frase do Abstract/Resumo da tese de um amigo meu em Teleecomunicações:

"O egoísmo dos agentes económicos tende a ser uma fonte de ineficiência. No âmbito das
redes de telecomunica ̧c ̃oes, resultados anteriores mostram que o aprovisionamento de redes
de forma ego ́ısta pode gerar ineficiência."

Ai, é tão giro sermos humanos.

Fight Club

O meu orientador não viu o Fight Club. E depois eu é que estou a ficar velha.

(Leia-se... Estou a brincar, porque o tipo é francamente excepcional.)

Isto ja parece um blog

O link to título leva a um ranking das mulheres mais sexy do mundo. Eu não conheço a nº1, a Jessica Alba, nem a nº2 que já não sei o nome... Vá lá que conheço a #3. A Angelina, que francamente, não acho nada gira.

sexta-feira, setembro 15, 2006

Ainda relacionado com o ultimo post.

Está uma moca.

Sexo con Amor




Um filme chileno, que parece uma novela mexicana. Um Almodovar em versão reles, mas que não deixa de ser engraçado.

A tipa é gira, sim.

"Los niños se hacen con amor "

Uma imagem pela memória de grandes peças.


Foi tirada daqui.
Peça: Histórias de Amor
Grupo: útero, cultural association
Encenador: Miguel Moreira e os grandes actores e colaboradores que participaram.

quinta-feira, setembro 14, 2006

"Depilation Next..."

Em Portugal, a publicidade na tv relativamente a tudo o que representa engenho de barbiar tem uma componente masculina. Sempre teve. Lembro-me de ver mulheres com bigode na Feira de 3a feira em Viseu ou no mercado da cidade quando por lá passava com a minha tia Neves. Daquelas mulheres que nunca foram ao Sor doutor tratar da menopausa e que ficaram com o corpo todo estragado por causa de tal descuido. Quando era pequeno ver mulheres de bigode era como ir ao circo, ficava a olhar como se fossem girafas ou trapezistas até a minha tia me advertir que era feio ficar de boca aberta especado a olhar para uma pessoa. Parecia mal.
Bem, a verdade é que até agora, quando associava engenho de barbear a mulher, somente pensava nessas mulheres. Nos EUA tudo mudou, todas essas ideias relativamente a mulheres a fazer a barba mudaram. Nas tvs aparecem os mais variados engenhos com mulheres boazonas e bem depiladas a dizer que "it's the best", o teu homem vai-se passar tanto com as tuas pernas, que vai abandonar a Mach 3 e querer uma nova azul bébé com riscas rosas. O barbear das pernas, algo que me ultrapassava poder ser praticado por um grnade quantidade de mulheres sem anomalias, é prática comum nestas terras. Por isso, "Wax Air Removing", a nossa cera quente na Europa é por aqui uma raridade e quase sempre uma tortura de fazer.
Isto tudo para explicar o motivo pelo qual encontrar uma Russa depiladorado ao estilo Europeu foi um achado.

quarta-feira, setembro 13, 2006

E so para isto nao ficar um blog serio

Yeeeeeehhhhhh!!!!

Arranjei uma esteticista de jeito em Pittsburgh!!!!!! Pelo menos uma que sabe fazer depilação!!!! EHHHHH!!!!!!

(Sim que isto das gajas cá tirarem os pelos com gillette tem muito que se lhe diga... As consequências económicas são desastrosas: lá se vai a economia das ceras, espátulas, esteticistas, cremes pós-depilação e afins).

Ah, vocês, queridas mulheres de Portugal, não sabem o que é isto. É que na televisão até passam anúncios com gajas a roubar as gillettes aos gajos para fazer a depilação e vice versa.... Um desastre.

And what about oil prices and world collapse?

http://zfacts.com/p/313.html

Just for fun...

.... An interesting website on demand functions.
http://www.marginalrevolution.com/marginalrevolution/2005/12/wisdom_about_up.html

Microeconomics in question

The word "economics" is from the Greek words οἶκος [oikos], meaning "family, household, estate," and νόμος [nomos], or "custom, law," and hence means "household management" or "management of the state." (Wikipedia, 2006/09/09).

Economics is the study of man in the ordinary business of life (Marshall, 1890);

In a microeconomics course, the first lecture can hypothetically start with the topic of consumer theory. Sitting in that course, one of the first statement that one will hear, is that one assumes that consumers are rational and want to maximize their utility. Then one hears the basic set ups of the preference axioms of completeness, transitivity and continuity . Suddenly come the two last axioms: local non-satiation and monotonicity. Local non-satiation means that no matter how much apples and potatoes I have so far, I will be happier more potatoes or more apples. Monotonicity means that if I am to choose between to bundles and one of them has more or the same number of goods, I will of course prefer the one that has more goods. Finally comes the axiom on convexity, which states something like “averages are preferred to extremes”. Is this truly the way our preferences behave?

I personally don’t like to take more than 3 espressos per day: the forth espresso is going to give me stomach pain for the rest of the day. Even if espressos were for free, I might abuse on espressos the first day when they are for free (for truly I adore espressos), but once I get used to them being for free, I won’t take more than three. I think that for most of the things

I consume, I would say the same. No more than x units, thank you. That’s my optimal pleasure. Or utility. But what is utility
anyway? And why does one of the fundamental axioms of microeconomics require that consuming more is best for me?
Microeconomics principles were not always like today. Let’s in the XVIII century, when Smith’s new line of thought, based on utilitarianism philosophy, held that the moral course of action was that which promoted the greatest happiness of the greatest number of people (in contrast to the older moral tradition that there were natural laws that defined the right way to live). Smith paradoxically maintained that property rights should be favored to government intervention at the same time that he hoped that in the long run utilitarianism objectives would be achieved (Smith, 1776; Ackerman, 1993).
Bentham, some years after Smith, appeared to rely more on psychological theory of hedonism: he assumed that behavior was motivated by pleasure and pain, and that the net satisfaction was the utility. A person’s utility function would not consist only of what one can purchase, but also on other set of attributes, as charity, sympathy, etc. Bentham philosophy expressed an egalitarian individualism: each individual’s happiness is counted equally, and each is the best judge of his/her own satisfaction (Ackerman, 1993).

John Stuart Mill (1863) followed somehow Bentham’s ideas, but recognized that individual’s were not always the best judges of their own interests. Paradoxically, Mill’s (as Marshall, Pigou and Keynes) believe both in a capitalist economy and on an ideal cooperative society in the future! It seems that this division between what is best for society and what economics is concerned to achieve that started with Adam Smith was still quite present in Mill’s and his contemporaries.

Finally, the neoclassical school that we are here concerned about arose with Jevons, Marshall and others in the early 1970s. Neo-classical economics pillars were based on assuming that resources are scarce and looked at maximizing the profit (or utility) taking those constraints into account.

Somewhere along the way of the neoclassic thinking, economist forgot that utility (if one considers it as synonym of satisfaction) might arise not only from material consumption but also from a long list of other types of consumption.

Even concerning the material consumption, the value of the goods we consume is not something simply intrinsic to ourselves, but it is highly dependent on the context we are in. Our preferences might be built up externally to us, due to advertising, fashion, society rules and values. I don’t value ipods because I don’t like to listen to music while I walk. I like to ear the sounds around me, see what is happening. Still ipods are cool and people without one might look like freaks. What if I just came out with an old walkman? Huuuu, then if I was fifteen, I guess would have no friends at all.
People are different, they behave and react differently and they consume in order to find an identity, to feel unique, and at the same time to paradoxically feel that they pertain to societal groups.

I do not resist to point out the following piece, that I extracted from the movie Fight Club which cruelly shows better than anything else I found so far the one way of building up preferences today:

“Jack sits on the toilet, cordless phone to his ear, flips through an Ikea catalog. There's a stack of old Playboy magazines and other catalogs nearby. And he thinks says to himself:
Like so many others, I had become a slave to the Ikea nesting instinct. 
If I saw something clever like coffee table sin the shape of a yin and yang, I had to have it. The Klipske personal office unit, the Hovertrekke home exer-bike. Or the Johannshamnh sofa with the Strinne green stripe pattern... 
Even the Rislampa wire lamps of environmentally-friendly unbleached paper. I would flip through catalogs and wonder "what kind of dining set defines me as a person?" 
I had it all. Even the glass dishes with tiny bubbles and imperfections, proof they were crafted by the honest, simple, hard working people of ... wherever. We used to read pornography. Now it was the Horchow Collection.”

Let’s go back to our hypothetical introductory course lecture on consumer theory. Another notion that would surely be introduced would be the concept of Pareto efficiency, which states that an outcome is Pareto efficient when no one can be better off without harming someone else. This is a decision criteria as many others, and its importance in microeconomics is astonishing for a non-economist: so what about equity? What about fairness? Pareto was an affluent aristocrat, which believed that substantial inequality was inevitable and cynically dismissed democratic politics as a fraud. He was an honorary member of the Italian Senate under Mussolini (Ackerman, 1993). This gives me some information on Pareto’s vision of an ideal society, but not on what is the best for society.

In this world of mainstream neo-classical economics, still some refreshing ideas arise. For example, in Buthan, people seeked for a different model of economic development. They defined Gross National Happiness (GNH) as a measure of development (as opposed to GDP) of human society that takes place when material and spiritual development occur side by side. (Wikipedia, 2006/09/10).

Also, although the neo-classical approach effectively alien to the natural world, that is, the world of living plants and animals (oh, yes, I am one og those awful people for which ecology is also about what you consume and the way you live), some new fields address this issue. Ecological economics, for example, seeks to study the improvement of human well being through economic development but also though sustainable development of ecosystems and societies.

References

• Ackerman, F., Kiron, D., Goodwin, N. R., Harris, J. M., Gallagher, K., (1993). Human Well-Being and Economic Goals. Frontier Issues in Economic Thought Volume 3, Neva R. Goodwin Editors.
• Marshall, A. (1890). Principles of Economics.
• Wikipedia, 2006/09/10, Gross National Happiness:
http://en.wikipedia.org/wiki/Gross_National_Happiness
• Wikipedia, 2006/09/10, Jeremy Bentham:
http://en.wikipedia.org/wiki/Jeremy_Bentham#Utilitarianism
• Varian, H. R. (1992). Microeconomic Analysis, 3rd Edition, Norton & Company Inc.

segunda-feira, setembro 11, 2006

11 de Setembro - O prometido devia ser devido

O senhor Presidente dos EUA George W. Bush, depois do sucessido no 11 de Setembro de 2001, prometeu que iria "caçar" os culpados. Nunca hoje se esteve tão longe de se cumprir tal promessa. Vivemos tempos de incertezas, segredos, verdades absolutas inconstantes no tempo e no espaço. Guerra pela guerra, terrorismo, maus e os bons, defesa da liberdade. A pior forma de opressão é dar ao povo a ilusão de liberdade.
Bin Laden, Big Laden e Big Treta. Nos EUA, no Iraque, no Afeganistão, quem se fode é o mexilhão. No one else...

sábado, setembro 09, 2006

sexta-feira, setembro 08, 2006

E se os diferentes fossemos nos?

Pelas liberdades das minorias, seja qual a for a causa da sua existência.

Origem do Homem


Um assunto que me interessa muito:

Especialistas em pré-história reunidos em Lisboa

Estudos arqueológicos destacam influência da Ásia Central no homem moderno

Estudos arqueológicos recentes feitos, essencialmente no Irão, apontam para uma maior influência da Ásia Central na origem do homem moderno, em detrimento do papel de África nessa evolução, revelaram hoje, em Lisboa, especialistas em pré-história.

A revelação destes estudos foi feita no final do congresso da União Internacional das Ciências Pré-Históricas e Proto-Históricas, que durante esta semana reuniu em Lisboa 2500 especialistas de todo o mundo.

Hoje, em conferência de imprensa, o arqueólogo belga Marcel Otte explicou que vários estudos apresentados neste congresso apontam para uma grande importância da região da Ásia Central na evolução morfológica e cultural do homem moderno, há 40 mil anos, quando se acreditava que essa evolução se devia essencialmente a uma migração de África.

"Isto poderá ser uma autêntica revolução a nível do conhecimento", sublinhou à Lusa o investigador português Luiz Oosterbeek, que foi escolhido para ser o secretário-geral da organização nos próximos cinco anos.

Indagar o passado (mesmo o mais remoto) para perceber o presente é o objectivo central dos trabalhos discutidos no congresso, que decorre de cinco em cinco anos e terá a sua próxima sessão em 2011, no Brasil, em princípio na cidade de Florianópolis.

As investigações, que se centram na origem dos primeiros grupos humanos que chegaram à Europa, envolvem também trabalhos na Península Ibérica.

Em Portugal, uma equipa liderada por Luiz Oosterbeek conseguiu, numa investigação feita no Vale do Tejo, datações que apontam para a presença humana há 300 mil anos.

No final do congresso foi ainda apresentado um projecto que está em curso, com o apoio da Comissão Europeia e ao qual Portugal está associado ("To touch or not to touch"), que visa lançar uma rede de museus de arqueologia que permita um maior acesso de invisuais.

Amanhã, último dia de trabalhos, será apresentada, no âmbito do programa Herity, que visa a elaboração de um guia de certificação de qualidade na gestão de bens culturais, a candidatura de vários sítios arqueológicos portugueses.

Lusa

domingo, setembro 03, 2006

Vinho por Portugal

Catedral de Viseu, imagem de rótulo de muitas garrafas do Dão
Em tempos idos de campanha presidencial, Cavaco Silva a meio de um discurso afirmou que Portugal precisava de uma pessoa que ajudasse os portugueses a se perguntarem o que podem fazer por Portugal em vez de se perguntarem o que Portugal pode fazer por eles. Altamente inspirado, tentei fazer coisas por Portugal: apoiar a equipa de bola nacional no mundial, divulgar o bacalhau fora das fronteiras Lusas, falar mal do seu actual Presidente, etc...
Mas nada disso funcionou bem, Portugal ficou na mesma. No outro dia resolvi somente comprar vinho da minha terra: Viseu, estava farto do Californiano, do Australiano, do Sul Africano, do Argentino (experimentem a Casta Malve em vinhos Argentinos de 2001, muito boa) e do Chileno. E eu acho que isso ajuda a desenvolver Portugal, tenho obtido algum sucesso nas "Wine Shops" ao intrigar os donos com a minha obsessão no Douro, Dão , vinho verde e Alentejo, cheguei a conseguir fazer um Americano soletrar UDACA para experimentar quando passar em Viseu ou Penalva do Castelo se estiver numa de Vinhos Seculares. Agora agradecia uma ajudinha dos exportadores portugueses, mandem mais que eu compro e propagandeio em festas, prendas, eventos formais, tudo em que for possível publicitar a bela da pinga.

sábado, setembro 02, 2006

Francisco Louçã em Guimarães

http://www.esquerda.net/index.php?option=com_content&task=blogcategory&id=35&Itemid=45

Marcha pelo Emprego prova "capacidade governativa" do Bloco de Esquerda

A Marcha pelo Emprego que o Bloco de Esquerda hoje iniciou em Guimarães "é a prova de que o partido tem capacidade governativa e respostas concretas para os problemas dos portugueses", afirmou o líder dos bloquistas, Francisco Louçã.

Em declarações à Lusa, no final de uma "suadela" de dez quilómetros entre Guimarães e a vila das Caldas das Taipas, Louçã disse que as 70 medidas que vai propor, durante os 17 dias de duração da Marcha, demonstram que o Bloco "tem políticas alternativas válidas de governo para Portugal".

A Marcha, que se iniciou com uma sessão de apresentação na praça do Toural em Guimarães, percorreu a estrada nacional em direcção a Braga, sem ter registado grande adesão mas também sem qualquer hostilidade.

Decorreu de forma organizada e ordeira, para o que contou com a colaboração quer de um serviço interno do Bloco, quer de carros-patrulha da Brigada de Trânsito e soldados a pé ou de motorizada da GNR. Foi aberta por um carro de som e fechada por um boneco do tipo marioneta simbolizando a "exploração".

Os 200 participantes, quase todos de sapatilhas ou sandálias, bonés e bandeiras, pareciam na sua maioria oriundos da classe média urbana, sendo poucos os que tinham aspecto de operários.

Francisco Louçã foi saudado e estimulado por vários transeuntes quer em Guimarães quer no caminho, que se diziam vítimas de despedimentos em empresas têxteis "viáveis" da região do Vale do Ave. Para além do líder do Bloco, participaram na Marcha os deputados Ana Drago, Luís Fazenda, Helena Pinto, João Semedo e Alda Macedo.

O cortejo, que ocupou uma das bermas da estrada não obrigando ao corte do trânsito, terminou com um almoço na Escola Básica das Taipas, que foi aproveitado pelos menos habituados a caminhadas para porem as pernas em descanso, ou colocarem cremes protectores para o sol, já que a Marcha prossegue à tarde até à localidade de Campelo.

Enquanto aproveitava a pausa para distender os músculos, Louçã acrescentou que o tema do dia da Marcha, numa região flagelada pelo desemprego, é o da "Proibição dos despedimentos".

O Bloco, disse ainda Louçã, quer que "o despedimento ou plano de rescisões voluntárias seja proibido quando a empresa tiver resultados positivos ou quando a sua capacidade produtiva ou activos permitam recuperar a rentabilidade".

"Em muitos casos, a empresa está a funcionar com rentabilidade, e o plano de despedimentos obedece exclusivamente a uma estratégia de valorização bolsista ou de aumento dos dividendos dos accionistas, procurando acentuar a exploração dos restantes trabalhadores", referiu.

A iniciativa sugere, ainda, que a apresentação de um plano de despedimentos terá que ser apresentado previamente à Comissão de Trabalhadores ou à Comissão Sindical da empresa, com uma fundamentação económica que inclua as contas relevantes da firma.

Esta proposta integra-se no projecto de lei do Bloco de alteração do Código Laboral para proteger os contratos colectivos, disse ainda Francisco Louçã.

O primeiro dia da Marcha termina à noite com uma festa-comício no Centro Cultural Vila Flor em Guimarães, prosseguindo, domingo, nos concelhos de Guimarães e de Famalicão, com um dia dedicado à "Redução do horário de trabalho", pois, sustenta o Bloco, há que "trabalhar menos para criar mais emprego".

Lusa


Considero positivo este evento mas necessito de fazer uns quantos comentários:

Assim como o PP era o Partido do Paulo Portas, cada vez mais o Bloco de Esquerda se torna no Partido do Francisco Louçã: grande economista, grande investigador, grande político, grande homem de Esquerda, mas somente um homem. Eu sei que os portuguezinhos gostam de messias, seja na Esquerda ou na Direita, assim como o Salazar, o Cunhal, o Soares e o Cavaco, mas um partido faz-se com pessoas. Eu sei que era bonito que fosse diferente, mas eu nunca acreditei em milagres e a nossa recente História governativa tem mostrado o oposto, o messias pia muito mas o resultado fica sempre fora das expectativas. Por isso considero que o Bloco de Esquerda, como partido novo, se devia afastar dos vícios dos partidos portugueses em somente se centrarem num líder e iniciar um debate interno sobre como trazer para o Bloco iniciativas de debate e formação para se desenvolver a vontade e ideias em se fazer algo diferente de fazer campanha e mandar uns berros na rua.Isso seria positivo na altura de se fazerem governos. Actualmente, os partidos somente possuem nos seus quadros militantes peritos em campanha e carreirismo de partido, mas que nunca se dedicaram a pensar em Governar. O BE não pode iniciar a mesma marcha dos restantes partidos de Portugal.
Com a mania de que os Países por esse mundo fora vivem em circunstâncias de orgânica interna semelhantes, estou sempre a ler os Pachecos Pereiras e a ouvir os Marcelos, assim como os nossos políticos activos de que Portugal devia de ser como no estrangeiro. A cultura como na Bélgica, a saúde como em França, as medidas economicas como no norte da Europa, ou nos EUA, ou na China. Jogam à política como ao corte e costura e esquecem-se de olhar para o panorama de Portugal.
Gostava que o Bloco olhasse para Portugal, para os seus problemas e fosse original em medidas e políticas. Porque Portugal precisa de originalidade, honestidade e noção da realidade para ser competitivo. Tudo isto associado à vontade política: ser-se de Direita ou ser-se de Esquerda não depende de chavões de carácter prático como o sim ou não à Constituição Europeia ou o sim ou não às privatizações ou à redução do poder do Estado na economia. Isso depende da orgânica de cada país. Ser-se de Esquerda ou de Direita depende do que se quer fazer do mundo: um local de grandes desigualdades sociais (Direita) ou um local de menores desigualdades sociais (Esquerda), uma cidade com condomínios de luxo dentro de muros e bem guardados com armas do crime e da desgraça ao lado (Direita) ou uma cidade sem favelas, guetos, fome, crime e sem zonas desperançadas (Esquerda).

quinta-feira, agosto 31, 2006

Oposição feita pelos revoltados fictícios

A Direita Portuguesa encontra-se em crise de silêncio, não de ideologia, valores ou ideias de programa politico. O silêncio e a camuflagem são bem típicos da nossa Direita quando não se encontra no poder governativo, esperam pelo momento certo para entrar em cavalgada decapitativa. Pelo menos é o que eu interpreto do silêncio das pessoas que eu considero sérias na Direita durante os Governos PS. A Esquerda ainda berra, tem ideias, faz manifs e apresenta oposição durante Cavacadas, grelhadas de Cherne e festas populares Santanescas. Hoje em dia e como sempre, a Direita oferece o seu tempo de Antena ao que pior possui: Manuel Monteiro, com a sua ultra-minoria mediática a querer comicamente nortear os futuros da Direita e Fernando Ruas com o exclusivo cargo de poder nacional ocupado por um militante laranja. Digo laranja em vez de Social Democrata porque estou convicto que para o senhor Ruas a Social Democracia não é mais do que um nome de um clube de influências como o Sporting é um nome de clube de bola. O PSD ganhou a mais recente batalha autárquica, podendo consoante o seu apetite conseguir maioria nos autarcas para arremassar pedras e bitaites bregeiros e ocos ao Governo. Mendes encontra-se quieto e receoso de se espalhar na marasmo da intriga política, assim como todos os outros cavaleiros de batalha laranja e centrista/populista. Portanto, Ruas e Jardim são actualmente a oposição activa da Direita Portuguesa. O Aiatola de Viseu e o Carnavalíssimo da Madeira.
Em Viseu impera o PSD em poder absoluto e neo-ditatorial. Por Portugal fora toda a gente sabe isso, mas não em Viseu. Quando ando por essa cidade, eu assumo que o homem que me vende o jornal, o que me serve a bica e o que conduz o autocarro até São Salvador são do PSD. O contrário é mesmo pouco provável, basta olhar para os partidos eleitos para governarem os diferentes focos do poder local da região. Por aquelas terras costuma-se dizer que qualquer vaca, galinha ou ovelha consegue ser presidente da junta com a bandeira do PSD.
Nasci em Viseu, vivi 18 anos, respirei a carga milenar das ruas, dos granitos, das maravilhas de uma das cidades mais belas de Portugal. Por isso, durante algum tempo em que a minha vida não se definia, voltei a Viseu, para a terra mãe e andei a frequentar os cafés, as tascas, a noite, as salas de jogo, os autocarros, as corridas no Fontelo, os restaurantes típicos, os museus, a Catedral, o Rossio, a Rua Direita, andei por lá. Para adensar ainda mais o contacto com o Berço, ouvi as radios e li os jornais da terra. Foi nesse contraste entre as palavras ouvidas pelo Povo nos locais populares e a comunicação social viseense que reparei na relação de grande disparidade existente entre o agente de propaganda doutrinária do PSD e o revoltado Povo/Eleitorado das terras de Grão Vasco. Relação essa que vive e prospera em regime de simbiose.
Se por um lado, o compadrio laranja que impera e domina todos os quadrantes da cidade castra qualquer foco de crítica, oposição ou pluralismo, pelo outro propagandeia em tudo o que é Jornal ou Rádio supostamente independente da cidade que Viseu é vítima dos malandros comunas e socialistas que querem roubar e arrasar toda a sua identidade e o seu povo. Considero interessante ouvir programas com o nome de “palavras independentes” onde se propagandeia a matriz religiosa e se ataca com todas as pedras todos os partidos não PSD. Embora Viseu seja um feudo laranja, o povo e as palavras na cidade ecoam outra mensagem. Ali, para os Ruas e companhias, Viseu é um polo de resistência contra os filhos da puta dos Doutores, dos Intelectuais, dos Actores, dos Esquerdistas, dos Homossexuais, dos que de nada culpa têm a não ser a ausência de um cartão laranja. Viseu é uma cidade em constante actividade revolucionária.
Por isso, quem se encante pela linda cidade de Viseu e para lá queira ir trabalhar e viver, muito cuidado. Ali nada interessa, uma pessoa com licenciatura, com bons estudos em boas Universidades ou muita experiência de trabalho e bem recomendado é passado para a retaguarda em deterimento de qualquer marialva dos copos, do Rossio ou do Clube de Viseu que somente sabe fazer chicana de rua nos gabinetes com boatos e mal dizer. Basta vestir um Asno com um fato da Hugo Boss e gravata laranja, dar-lhe um diploma de estudos comprado no mercado negro da Praça de Espanha e faz-se um viseense de responsabilidade na cultura ou no urbanismo e ambiente com potencialidade a um dia ser deputado pelo PSD ou quem sabe membro de um governo.
O povo escolhe os seus governantes, estes deviam ter medo do seu povo e não o oposto.

Angels in America - Um dos locais mais belos de NY

http://www.hbo.com/films/angelsinamerica/

quarta-feira, agosto 30, 2006

Anjos na America...

... Eu ainda não vi nenhum em Pittsburgh.


(Roubado ao blog http://daminhaaldeia.blogspot.com/, mas este excerto é fantástico)

Posso pedir-lhe uma coisa, senhor?
-Senhor?
-Como são as coisas... depois?
-Depois?
-Esta miséria acaba?
-Inferno ou céu?
É como São Francisco.
-Uma cidade. Que bom. Estava preocupado que fosse um jardim. Detesto essa merda.
-Uma grande cidade, cheia de ervas daninhas, mas ervas daninhas florescentes. A cada esquina, uma multidão destroçada... e qualquer coisa nova e perversa, a ascender diagonalmente nessa direcção. Janelas ausentes em todos os edifícios, como bocas desdentadas, vento arenoso... e um céu cinzento e altaneiro, pejado de corvos.
-Isaías.
-Pássaros proféticos, Roy.
Lixo amontoado, com lapidações como rubis e obsidiana... e vacas a cuspirem ao vento serpentinas cor de diamante... e cabinas de voto.
E toda a gente em vestes Balenciaga, com corpetes vermelhos. Enormes palácios dançantes cheios de música e luz. Impureza racial e confusão de géneros. E todas as deidades... são crioulas. Mulatas. Morenas como as fozes dos rios. Raça, gosto... e história, finalmente suplantados.
E você não estará lá.
-E o céu?
-Isso era o céu, Roy.
-O tanas é que era. Quem é você?
-A sua negação.

Um pénis Universitário em Pittsburgh



foto por Carlos and Carlos LDA