Sábado, Julho 11, 2009
Ó Laurindinha...
"Se for dar um passeio pela praia e se for nas minhas conversas com Deus, muitas vezes 'falo' em inglês. Sei que é uma coisa completamente absurda, para a qual não tenho explicação. (...) Deus é multilingue, mas talvez perceba que o inglês é mais incisivo para certas coisas."
Estas coisas chateiam-me. Não tanto por Laurinda falar com deus, afinal está no seu direito (e ainda bem que é com aquela personagem; qualquer outra dava direito à casa amarela onde vão permanecendo os percentis extremados da sociedade). O que realmente me chateia é o facto de Laurinda falar com deus em inglês alegando que assim consegue níveis de incisão não conseguidos com a nossa pacata língua. Não posso concordar. Se deus é multilíngue e uma vez que as suas capacidades são sempre prefixadas por um pomposo omni, então Laurinda até poderia falar o português cantado e feliz do Brasil que ele conseguiria deslindar as suas mais secretas intenções. Se tal for o caso, Laurinda usa o inglês porque ela necessita ignorando as capacidades mui elevadas de tal ouvinte. Ora, isto parece-me pecado!
Em adição, parece-me que a Laurinda passou pouco tempo nessas tascas portuguesas onde homens, ao despique, vão distribuíndo jargão de sílabas fortes e salivantes e que tanto podem ser usadas para o humor fácil e expressivo, como podem servir para, de forma incisiva, achincalhar a classe política (a que Laurinda não pertence, por isso é que se apresentou como a candidata da renovação).
Voltei a lembrar-me porque nem sequer abria a Xis, que vinha à boleia da Pública, no regaço do jornal.
Quinta-feira, Julho 09, 2009
Falta-me paciência...
O Insurgente é um blogue da direita liberal (à europeia) que eu vou seguindo para melhor perceber as teorias associadas a esta(s) ideologia(s). Reconheço inteligência em alguns autores apesar do único objectivo aparente daquele blog ser o de diabolizar o Estado. Ou seja, tudo o que possa acontecer de mal estará ligado ao Estado das mais diversas maneiras. Em adição, tudo o que cheire a regulação é imediatamente cilindrado ora com textos de autoria dos bloggers ora por excertos de publicações de outrém. Contudo, esta cruzada contra o Estado e suas formas de regulamentação tem o problema que todas as cruzadas têm: o exagero acrítico.
Isto tudo, porque o João Luís Pinto, a respeito de "manifestos, parasitismos culturais e obras públicas" (que abragência!) publica parte de um artigo que eu achei deliciosa. De forma resumida, eis o que apresenta:
«Katrina, o furação devastador que assolou Nova Orleães em 2005, levou inúmeros políticos à televisão no pleno exercício da política. Estes legisladores, movidos pelas imagens da devastação e das vítimas revoltadas que perderam as suas casas, fizeram promessas de que iriam proceder à “reconstrução”. Foi um gesto de extrema nobreza da parte deles fazer algo de humanitário, erguer-se acima do nosso egoísmo abjecto.
Prometeram fazê-lo com o seu próprio dinheiro? Não. Iriam usar dinheiro público. Tenha em conta que esses fundos seriam retirados de outro lado, como no provérbio: “Tira-se a Pedro para se dar a Paulo”. Esse outro lado será menos mediatizado. Poderá ser a investigação contra o cancro financiada por capitais privados ou os futuros esforços para combater a diabetes. Pouco parecem dar atenção às vítimas do cancro que padecem, sós, num estado de depressão não televisionada.
(...)
Morrem mais doentes de cancro todos os dias do que as pessoas vítimas do furacão Katrina; são eles quem mais precisa de nós – não só da nossa ajuda financeira, mas da nossa atenção e da nossa amabilidade. E poderão ser eles a quem o dinheiro será retirado . indirectamente ou, até mesmo, directamente. O desvio de dinheiro (público ou privado) da investigação poderá ser responsável pela morte dessas pessoas – num crime que permanecerá no silêncio.»
Óbvio! Os sacanas dos políticos foram tirar o dinheiro precisamente aos doentes de cancro e diabetes. Mas aí, fico com uma dúvida! Sendo a saúde nos EUA um exemplo a seguir (as pessoas escolhem onde querem ir, a apólice do seguro que mais convém, etc.), não seria redundante o Estado dar atenção aos doentes do cancro e diabetes? O seguro não cobre? O mercado não resolve pela eterna lei da oferta e procura?
Ou não percebo as nuances desta linha de pensamento ou este texto insere-se na categoria de desonestidade intelectual. Percebem porque me falta a paciência?
Carta aberta...
Descobri recentemente um blogue chamado e deus criou a mulher. Agora, sempre que o Reader me indica um novo post deste blogue vou a correr ver com um certo brilhozinho nos olhos. Serei normal?
Terça-feira, Julho 07, 2009
Carlos Paredes
Carlos Paredes era dotado de uma sensibilidade única que conseguia sublimar nas cordas dedilhadas daquela guitarra portuguesa. A consequência é que “Asas sobre o mundo” tornou-se o álbum maior, aquele que apresento como embaixador da música portuguesa aos meus amigos além fronteiras, aquele que tomo como referência da portugalidade tocada. Da profunda tristeza e de uma alegria chorada, da saudade saturada e há muito esgotada. Do livre pensar e do agrilhoamento a uma terra de sal. Do tudo ou nada. Mais estranho é o facto de não conseguir ouvir o álbum por inteiro que, esgotado de tanto resistir, irrompo em lágrimas e tenho de fugir…
Ficam os verdes anos, obra emblemática de uma época.
Maria João Pires
Embora não concordando com a totalidade (primeiro parágrafo) julgo que este texto do Pedro Picoito responde às investidas de uma certa direita liberal “que (…) não tem outra ideia para a cultura que não seja contar tostões”. 
Domingo, Julho 05, 2009
Júlio Pomar
Hoje tive a oportunidade de ver uma exposição de Júlio Pomar que abarca o período de 1943 a 2003 e que inclui as fases mais relevantes: neo-realismo, tauromaquias, corridas de cavalos, Maio de 68, banhos turcos, erótica, tigres e a série dos corvos. Pena não estar representada a série de raguebi, da mesma altura da série do Maio de 68, e a série erótica estar pobremente representada. Positivo: a exibição do documentário “Pomar, o risco”, uma reportagem de uma hora (RTP) que já havia visto em Serralves e que, de forma resumida, traça os principais marcos da vida do pintor.
Deixo aqui um dos quadros da exposição que mais me marcou: o retrato de Frida Kahlo representada como Eva no seus símbolos (maçã e serpente). O tigre aparece no canto inferior esquerdo e nas obras de Pomar representa a carga feminina. Com Kahlo, sabemos que esse tigre tem de estar ali.
Frida kahlo dans le rôle de eve, Júlio Pomar
A exposição está no Centro de Arte Manuel de Brito (Palácio dos Anjos, Algés) e termina a 13 de Setembro.
Só para chatear: de seguida dei um pulo à FNAC e eis que me deparo com Vanessa da Mata na parte da música às compras. A Vanessa mulher é lindíssima o que me vai provocar ataques de ansiedade quando ouvir a Vanessa música.
Sábado, Julho 04, 2009
Histórias de caçadeira
Hoje interrompi um jejum de algumas semanas e fui ao cinema. Na sala estavam cerca de 10 pessoas (o que não augura nada de bom para o King) para verem Histórias de Caçadeira (Shotgun Stories).
A fotografia do filme é belíssima e explora a imensidão da América profunda, perdida no espaço e num tempo que se esforça por acompanhar a velocidade ditada pelos media e multimedia. É também o filme onde fico a conhecer Glenda Pannell (no papel de Annie Hayes). 
O filme é um anti-clímax e coloca-nos no papel de Tântalos sanguinários formatados para um certo estilo de cinema onde impera o moralismo atroz do antigo testamento. Apesar de tudo este é um filme para sorrir. Apenas tenho pena de uma coisa (quase a ponto de iniciar uma petição): a banda sonora deveria ter incluído Red House Painters. Aí teriam conseguido arrancar-me lágrimas e uma depressão de uma noite. Só para terem um sabor do filme:
Sexta-feira, Julho 03, 2009
Debate do Estado da Nação na Assembleia da República (DENAR)

Eu ouvi o DENAR na sua totalidade via rádio na internet, ou seja sem imagens. O debate correu muito bem ao Governo e a Sócrates como seu chefe, directo responsável e representante. O PSD estava desnorteado no seu discurso, o glamour populista de Rangel de pacotilha e algibeira estava a falhar, o CDS estava aos tiros no escuro com palavras de honra e dignidade em vazio absoluto e o PCP e BE estavam a enervar o Governo mas com dificuldade em ultrapassar os preconceitos do PS relativamente aos partidos à sua Esquerda, tão bem aceites pelo eleitorado e pelos Media de Portugal.
Sócrates estava a conseguir dar a volta ao PCP/BE, ao PSD e aos Media, estava a conseguir recolocar o discurso na defesa do Estado Social e no não baixar os braços, contrariamente aos planos do PSD relativamente à Educação, à Saude, à Segurança Social, à Quimonda, à Auto-Europa, aqueles assuntos relativamente aos quais o PSD nada diz por tudo querer privatizar, aqueles assuntos demasiado complicados para a mesquinhez intelectual dos Media.
Pois, estava o Paulo Rangel de pacotilha e algibeira a definhar, os Media a bocejar, o importante a ser discutido, quando o circo voltou nos gestos irados de Manuel Pinho.
Estava o Primeiro Ministro a apontar para a frente e o PSD, na linha do populismo dos Media que adora seduzir e comandar, ganhou a sorte grande, partiu para o parte tudo, destroi tudo, mata tudo e tudo, sempre motivado pelo moralismo hipócrita da Direita, e o que se debateu sobre assuntos muito importantes morreu e ficou nas actas nunca lidas da AR, e nos arquivos visuais e radiofónicos que nunca se disponibilizam na internet ao contrário dos assuntos populistas de vazio ideológico verbalizados por Ferreira Leite, Rangel de pacotilha e algibeira e Paulo Portas.
Demitir-se (também)
Quinta-feira, Julho 02, 2009
Demitir-se (actualizado)
Manuel Pinho excedeu-se. Independentemente do mérito (ou falta dele) nestes últimos 4 anos, Pinho não podia fazer isto e muito menos em plenário da Assembleia da República. A piorar? A projecção internacional do titular da pasta da Economia. Certo que já pediu desculpas e a oposição deve aceitar. Mas Pinho só tem uma saída: demitir-se!
Parece que Pinho fez o que era esperado e sensato: demitir-se. Entretanto á uma certa falta de classe de alguns bloggers que concorrem com a grosseria de Pinho. Exemplos? Olhem este! Não só ofensivo (olho por olho, dente por dente não é minha gente?) como errado. Pinho não foi demitido, demitiu-se! Honestidade porra!